por Kevin DeYoung, traduzido por Filipe Schulz

 Igreja e a Arte tiveram um relacionamento de altos e baixos nos últimos milênios. Às vezes, a Igreja foi patrona das artes, financiando e apoiando escultores, pintores e músicos com seus recursos. Outras vezes, a Igreja bateu de frente com a Arte, vendo-a como desperdício de tempo ou pior, como expressão de hedonismo e sensualidade. Hoje, apesar de muitas igrejas não serem muito receptivas a artistas, existe um ressurgimento de interesse e de defesa das artes. Na faixa abaixo dos 40 dos membros da igreja, gostar de arte é como gostar da sua avó, ou seja, apenas os mais retrógrados e incultos não o fazem. Existem duas coisas que nenhum jovem cristão se atreve a ir contra: justiça social e arte. A paixão por encorajar a arte é compreensível e na maior parte, recomendável. Não só a Igreja tem um longo histórico de apoio à arte, como a Bíblia fala muito bem daqueles com dons artísticos e artesanais (como a famosa dupla Bezalel e Aoliabe). E sejamos honestos, muitas de nossas igrejas não são exatamente um abrigo saudável para artistas. A cultura da igreja é normalmente conduzida pela classe média, não por alternativos e boêmios. Logo, faz sentido que nós precisemos sair da nossa zona de conforto para poder receber artistas e encorajar seu trabalho. Davi de MichelangeloAntes de me aprofundar, quero deixar claro que não vou apresentar uma teologia da Arte. Não sou capacitado para isso. Para aqueles interessados em um tratamento mais completo do Cristianismo e da Arte, eu recomendo o livro “Art of God’s Sake” (Arte para Deus), de Philip Ryken. Não sou um artista. Quer dizer, não sou pintor, escultor, poeta ou dançarino (você, definitivamente, não quer me ver dançando). Já estive em corais e tive algum treinamento vocal. É na música que eu chego o mais perto de algum senso artístico. Mas no geral, me considero um cristão bem mediano quando se trata de artes (mas eu me esforço bastante na ‘arte’ de escrever e pregar, ou seja, estou falando mais da ‘Alta Arte’ nesse texto). Eu gosto de algumas coisas da Arte, acho algumas coisas chatas, e algumas eu simplesmente não entendo. Como pastor, eu acho que uma ênfase renovada na arte em nossas igrejas pode ser uma coisa muito boa, ou muito ruim. Tudo depende de como o grupo da “arte é a resposta” e o grupo da “arte é estranha” pode chegar alguns pontos de contato e um terreno comum. Em relação a isso, quero oferecer algumas teses a respeito da Igreja e da Arte. 1. Devemos permitir que a arte seja arte. Às vezes, cristãos cometem o erro de achar que para a arte ter algum valor, precisa compartilhar o evangelho ou falar explicitamente de Jesus. Tal abordagem normalmente produz arte ruim e evangelismo ruim. A Arte tem seu valor porque tem a capacidade de ser bela e cheia de verdade. Não podemos achar que a arte vai comunicar da mesma forma que um discurso.

2. Arte tem seu valor, assim como várias outras coisas. Nem sempre os Cristãos sabem o que fazer com a arte. Pensamos “realmente existe algum valor em uma bela dança ou em um poema difícil de entender?”. Mas, se bem feita, a arte pode nos inspirar, confortar, incomodar, e ativar diferentes áreas de nosso cérebro. A Arte nos lembra que a utilidade não é a unidade de medida para o valor. Mas a Arte não é um deus, nem o curso preferido de Deus na universidade. Não há nada intrinsecamente melhor (ou pior) em ser um artista do que ser um contador, um programador de computadores, ou um vendedor.

3. A Arte pode realizar algumas coisas, mas pode não realizar outras. Cristãos normalmente têm problemas com a arte porque ela pode ser ambígua e aberta para muitas interpretações. Ela não está fechada a opiniões. Leva-nos a pensar, mas também a sentir. Ela ‘forma’ mais do que ‘informa’. Nesse sentido, a arte pode ‘ensinar’ sobre como nosso Deus é criativo e belo. Mas a engenharia pode ‘ensinar’ sobre como nosso Deus é coerente e conhecível. Deus é infinito. Várias profissões e várias vocações podem demonstrar seus diversos aspectos. Não devemos cometer o erro – e eu ouço bastante sobre isso – de achar que “poetas, artistas, escritores, eles sim, são os que realmente podem nos ensinar sobre Deus”. Bem, sim, eles podem. Mas os padeiros e os coletores de lixo também podem.

4. Nosso louvor deve buscar excelência artística, mas deve ser inevitavelmente “popular”, direto e objetivo. Eu estou sempre dizendo às pessoas que nós queremos “indiscutível excelência” nos cultos dominicais (agradeço a John Piper pela expressão). Não quero que pensemos que mediocridade é uma virtude espiritual. Cada igreja terá capacidades diferentes, mas o objetivo deve ser a melhor música, o melhor som, os melhores instrumentos, assim como queremos a melhor pregação. O momento de louvor dos cultos não é o melhor momento para dar ao Joãozinho uma chance de arranhar alguns acordes no violão. É uma oportunidade, para aqueles que se esforçaram para estudar e refinar seus talentos, de servir a Deus com seu trabalho. Por outro lado, as igrejas devem ter em mente que o objetivo do louvor não é exibir o talento de artistas. O objetivo final é edificar congregação e adorar a Jesus para a glória de Deus. Isso significa que a música deve ser simples o suficiente para que centenas (ou milhares) de pessoas sem treinamento possam cantar ao mesmo tempo. Isso também significa que nosso louvor deve lidar com a verdade da forma mais direta possível. Eu não quero pessoas após o culto se perguntando qual era o significado do louvor. Eu não quero que elas pensem em interpretações variadas. Eu quero que a mensagem seja clara e objetiva. Em 1 Coríntios 14, Paulo argumenta em favor da mensagem que é compreendida por todos durante o culto. Não estamos buscando experiências individuais de louvor. Queremos o máximo de clareza, o que significa que não vamos nos desculpar por focar mais na palavra e menos em outras formas de ‘arte’.

5. As igrejas podem aprender a receber artistas, mas os artistas não devem esperar que a igreja seja uma galeria de arte. Como eu disse, a igreja tem um histórico de apoiar a arte. Existe algo único nas artes visuais (estou pensando em pinturas, cartazes, murais, fotografias e etc.) que as torna propícias a serem incluídas no “espaço sagrado”. É complicado para um corretor de imóveis demonstrar suas capacidades no meio litúrgico, mas isso é possível à arte. Se existem artistas talentosos na sua igreja, considere a possibilidade de reservar algum espaço para que seus trabalhos possam ser expostos e integrados ao ambiente. Mas os artistas precisam perceber que a igreja não é uma galeria de arte. Eles precisam ter a sensibilidade para perceber que nem todas as obras podem ser usadas nesse contexto, e a humildade para ouvir um “obrigado, mas… não, obrigado”. Alguns trabalhos não se encaixam no contexto ou no clima da igreja. Algumas obras se tornam antiquadas. Outras nos distraem (em um sentido ruim). E outras simplesmente não são tão boas assim. Apesar disso tudo, a não ser que queiramos voltar ao modelo de igreja da Idade Média, é improvável que a igreja volte a apoiar e incentivar a arte como já fez (pelo menos financeiramente falando).

6. Artistas nos ajudam a reconhecer nossos ídolos, mas artistas também têm seus ídolos. Banqueiros chegam a idolatrar o dinheiro. Há mães que idolatram seus filhos. Acadêmicos muitas vezes idolatram o seu intelecto. Pastores podem acabar idolatrando a pregação. Artistas, a auto-expressão. O pior é que muitas vezes nos orgulhamos equivocadamente de não nos curvarmos aos ídolos dos outros. A boa arte pode ajudar a remover pretensões e pragmatismos excessivos. Bons artistas devem ser humildes a respeito de suas próprias limitações e pecados. E bons cristãos devem sempre almejar a verdade e a beleza, aonde que elas estejam.

 

Fonte : http://www.cristianismocriativo.com.br

 

por Augusto Guedes

Tenho alguns amigos que são pastores e também músicos. Um deles, após uma reunião de organização de um grande evento interdenominacional, referindo-se à falta de unidade e de cooperação, comentou entristecido: “não sei qual dessas ‘tribos’ é mais difícil de conviver: se a dos pastores ou a dos músicos!”
Pessoalmente entendo o comentário, pois também faço parte de ambas as tribos. Ao mesmo tempo, me pergunto: o que torna essa afirmativa uma verdade? O que tais “tribos” têm em comum, que ratificam tal observação? Talvez porque, principalmente, pastores e músicos sejam tentados da mesma forma que Jesus foi, e quando estes não conseguem resistir, tornam-se pessoas difíceis. Mas, quais as tentações que Jesus sofreu e que podem proporcionar esse tipo de comportamento e comparação?
O Diabo, como um ser milenar, sabe exatamente como fazer para nos instigar, atrair, e confundir. É algo tão sutil que nem todos conseguem identificar como certas propostas convidativas e aparentemente espetaculares são, na realidade, diabólicas e provocam completo engano – além de fazerem um tremendo mal à igreja. Ora, se ele foi capaz de tentar o próprio Jesus, imagine o que ele não gostaria de fazer conosco!
Muitas vezes, as nossas tarefas ministeriais nos propiciam situações semelhantes às de Jesus em Mateus 4, em que, embora não percebamos, estamos frente a frente com o inimigo: normalmente em lugares altos, como por exemplo palcos e púlpitos, sendo sutilmente estimulados por ele à vaidade e à busca por poder, por meio de desafios lícitos, aparentemente necessários, respaldados na Palavra e expressos pelos nossos simples atos de fazer e ordenar. E pelo desejo de ter, o que pode muitas vezes representar uma atitude de obediência e conseqüente adoração ao tentador.
Infelizmente nem todos percebemos que por trás do aparente poder e da fama pode haver atitudes de quem se prostra e, mesmo de forma inconsciente, coloca o controle nas mãos do inimigo. Apesar de desejarmos ser como o Mestre Jesus, nem sempre conseguimos identificar que tais situações muitas vezes são provas a que o mesmo Espírito que o levou ao deserto está nos submetendo hoje. Pecamos na busca por reconhecimento e afirmação pessoal, quando a cobiça nos atrai e nos seduz. Os desejos de agir, controlar e possuir certamente são muito perigosos à vida tanto do pastor quanto do músico, e é exatamente por meio deles que se pode constatar a queda na mesma tentação feita a Jesus.
A história tem comprovado que o resultado dessa busca por poder e fama, de forma consciente ou não, tem gerado o desenvolvimento e a manutenção de práticas, que mesmo aparentemente inexpressivas, evidenciam o quanto a mesma tentação feita a Jesus não só está latente, mas, em muitos casos, atendida por parte das duas tribos: a dos “músicos” e a dos “pastores”. ‘Fazer’, ‘ordenar’, e ‘ter’ são verbos que não só traduzem as ações e o sentimento sugeridos pelo diabo na direção de desviar a atenção de Jesus e promover a sua queda, mas que servem de balizadores para os nossos dias, nos permitindo um autoexame, uma reflexão pessoal e sincera com relação às nossas atitudes no exercício daquilo que entendemos e muitas vezes chamamos de “nosso ministério”.

O FAZER
O empreendedorismo tornou-se uma das marcas mais importantes da sociedade atual. “Agenda cheia” virou sinônimo de competência e produtividade. Jamais pensamos nelas como empecilhos aos nossos alvos. Enquanto as atitudes de Jesus no seu ministério eram primeiramente voltadas para as pessoas, dedicando-lhes tempo comendo, conversando, caminhando, orando, curando, nós, nos “nossos” ministérios, buscamos ações estratégicas finais voltadas normalmente para o desenvolvimento e a manutenção das instituições.
Se o ministério de Jesus aqui no mundo estava focado em relacionamentos, o nosso é centrado em realizações. Muitas vezes, ao invés de exercermos ministérios por causa das pessoas, nos relacionamos com as pessoas por causa dos ministérios. Tarefas tornam-se fins e não meios, e processos firmam-se como mais importantes do que pessoas. Metas não faltam, como se não dependêssemos do Espírito para que as coisas aconteçam. A idéia do “bom pastor”, utilizada equivocadamente em relação a homens, e não a Jesus, passou a estar mais relacionada àquele que empreende do que ao que cuida das ovelhas.
Em nome de uma excelência na proclamação do evangelho, somos tentados a um ativismo cada vez maior, que nos é prazeroso, principalmente para aqueles movidos por desafios, e que, sob o respaldo da Palavra, sutilmente promove completo engano, nos afastando das pessoas e tornando a igreja mais parecida com uma produtora de é-ventos ou com uma indústria de crentes em série, do que com as metáforas de “família” e “corpo” apresentadas por Paulo.
Dessa forma, o exercício dos dons deixa de ser uma conseqüência espiritual das reuniões dos irmãos para ser mão-de-obra especializada, parte de um serviço departamentalizado chamado de ministérios, prestado por gente apaixonada pelo que faz, numa carga horária interminável, muitas vezes por só se sentir reconhecida e amada se estiver executando algo.
Precisamos aprender a ser igreja, e não a fazer igreja; ao invés de fazer música, talvez ser música para Deus; e ao invés de promover reinos de homens, ser Reino de Deus.

O TER
Enquanto Jesus “não tinha onde reclinar a cabeça”, alguns de nós pastores e músicos dos dias atuais temos não apenas carrões de últimos modelos, mansões nos bairros mais nobres, investimentos e salários bem superiores à média das famílias das congregações às quais dizemos pertencer. No caso dos pastores, os nossos púlpitos – onde ninguém mais prega – com algumas pequenas exceções; as nossas visões “dadas por Deus”, que, por isso, fragilizam qualquer possibilidade de questionamento; as nossas doutrinas, que muitas vezes nos promovem mais do que ensinam a outros; e porque não lembrar dos nossos rebanhos, que além de aplaudirem as nossas performances, nos dão poder de representatividade em diversas ocasiões, fazendo com que sejamos convidados a participar de reuniões, projetos e eventos, muito mais pelo número de membros que ‘temos’ do que por aquilo que simplesmente podemos oferecer.
Também temos os nossos cargos, que se confundem com os nossos títulos e nos conferem uma “autoridade”, na maioria das vezes outorgada ao invés de naturalmente conquistada pelo nosso viver. No caso dos músicos não é diferente. Logo se institui o título de “Levita”, como se fosse coisa dos dias atuais, ou de “Ministro de Louvor”, “Pastor de Artistas”, “Líder de Adoração”, etc., na tentativa inconsciente de se formar um clero da música, a exemplo do “consagrado” clero da palavra, que transpõe certas pessoas para um patamar superior de importância e não de serviço, onde o “Ter” também representa poder e conseqüente fama, quando temos os nossos trabalhos (leia-se CDs, DVDs, etc.), nossos públicos, nosso estilo musical, nossa imagem, nossa banda, nossa carreira, nosso fã-clube, e muita coisa mais, que parecem passar a ser mais
nossas, numa perspectiva mundana, do que fruto da graça do Bondoso Pai.
Em nome de um sucesso no crescimento do Reino de Deus, somos tentados a cada vez mais procurarmos TER, dentre outras coisas, grandes comunidades e grandes públicos, ações plenamente realizáveis, principalmente para aqueles que possuem maior carisma, que nos enchem de satisfação pessoal e muitas vezes de orgulho, mas que sutilmente nos levam à promoção de controle e manipulação de massas, seja através do discurso ou da música; bem como ao controle e a manipulação de indivíduos, por meio de verdadeiros “abusos espirituais” em que terminamos machucando, ferindo, e muitas vezes matando “em nome de Deus” – a exemplo da “disciplina” que deixou de ser um ato de amor para ser um ato de terror – tudo isso apoiado por verdadeiras estruturas que envolvem desde equipes de marketing até de logísticas, que impressionam pelo tamanho, levando a igreja a assumir características mais de empresa do que daquilo que ela realmente deveria ser: grupos relacionais centrados no Cristo Vivo. E aí o patrimônio, desde o chamado “templo” até o menor parafuso reserva que está na caixa de ferramentas; a hierarquia, desde aquelas mais formais àquelas aparentemente mais livres; e a instituição, desde a denominação da qual fazemos parte até o tipo de serviço
executado por alguém ou mesmo pelo grupo de reuniões menores, tudo isso passa a ser mais importante do que as pessoas, a verdadeira igreja.

O ORDENAR
A ação de ordenar é a maior demonstração visível de poder, embora nem toda ordem necessariamente contenha autoridade legítima. As idéias de que ‘competente’ é aquele que “faz”, e de que ‘bem-sucedido’ é aquele que “tem”, nos trazem a falsa sensação de que o sucesso no ministério, como acontece nas coisas mundanas, está no ‘agir’ e no ‘possuir’. No entanto, o relato deste episódio por Mateus nos ensina exatamente o contrário. Foi o abrir mão de “transformar pedras em pães”, mesmo num momento absolutamente necessário aos olhos humanos, e de possuir “todos os reinos deste mundo e a glória deles” mesmo numa perspectiva extremamente atraente e privilegiada aos olhos de quem está num lugar alto, que qualificaram Jesus para ordenar: “retira-te, Satanás”.
Certa vez, num congresso, ouvi que para Deus sucesso significa fidelidade, e foi o que qualificou a autoridade de Jesus para tal.
Em nome do exercício de nossa autoridade, muitas vezes somos tentados a uma busca por poder, que embora muitas vezes baseada na Palavra, sutilmente nos leva a práticas de controle e manipulação como já mencionamos acima. Este é um “prato cheio” para encantar pastores que quando ministram a Palavra tornam-se mestres no uso de apelos emocionais, aparência física e linguagem para “vender” seus argumentos, peritos em imitar a forma em lugar da substância, bem como para músicos, que quando ministram o louvor fazem o mesmo, com o acréscimo de toda a força própria da música para mexer com as emoções, utilizando-a da pior forma para conseguir seus objetivos pessoais em nome de uma exaltação a Deus.
Parece que o texto nos ensina que para seguir a Jesus atuando naquilo que chamamos de nossos ministérios temos que renunciar a muitas coisas. Tentações que têm a ver com o agir, o controlar, o possuir, fazendo-nos mais pastores do que gestores, ou mais servos do que servidos, ou mais apoiadores do que possuidores, ou ainda, sem tanta notoriedade a fim de exercer uma verdadeira autoridade que pode num só ordenar dizer o contrário de “fica, Satanás” e você foi possivelmente tentado a pensar, ao ler no início o título deste texto, que eu estaria comparando o embate que existiu entre o Diabo e Jesus, ao dos pastores e músicos. A grande realidade é que essa deve ser uma relação de cooperação e não de competição. Somos todos igualmente tentados, e, felizmente, Jesus não se permitiu cair.
Vale, então, uma pregação e uma canção sobre a graça de Jesus. E que o Pai das luzes e das artes seja glorificado com as nossas opções de vida e ministério.
Augusto Guedes é um dos pastores da Comunidade de Discípulos em Fortaleza.  É músico, diretor-executivo do Instituto Ser Adorador (ISA) e profissional do segmento imobiliário.

P.S. De quebra – se desejar continuar lendo – acrescentei ao extenso texto algumas atitudes simples e práticas do cotidiano (e você pode aumentar a lista), que só confirmam o fato de que muitos de nós, músicos e pastores, caímos rotineiramente na mesma tentação de Jesus.

Músicos e pastores que só participam de eventos quando vão tocar ou falar;
Quando não é o caso, rotineiramente chegam atrasados, marcam presença e saem antes;
Que nunca sentam para ouvir;
Que valorizam grandes auditórios e platéias;
Que pregam sermões ou cantam canções para os outros e nunca para si;
Que possuem verdadeiros fãs-clubes, embora nem sempre explícitos;
Que desenvolvem dependentes e não apreciadores da sua arte de falar ou tocar;
Que fazem distinção entre grupos, tais como ministradores e ministrados;
Que olham para as pessoas como números e, muitas vezes, cifrões;
Que caem na tentação da casa cheia, do bolso cheio e da agenda cheia;
Que para se reunir têm que agendar com a secretária;
Que têm mais jeito de servido do que de servo;
Que cultivam uma distância, um campo minado nos relacionamentos;
Que em nome de uma visão seguem sempre à frente e jamais ao lado, com carreiras solos e posições hierarquizadas, em que sempre estão no topo;
Que têm o poder outorgado por uma função e não reconhecido por uma natural autoridade;
Que no argumento de uma suposta autoridade jamais escutam, apenas falam;
Que quando calado num diálogo não é porque está ouvindo, mas sim já pensando na resposta;
Que possuem relacionamentos superficiais e não profundos;
Que os processos valem mais do que as pessoas;
Que dedicam mais tempo e energia a tarefas e eventos;
Que têm suas agendas repletas de eventos e não de relacionamentos;

Fonte : http://www.cristianismocriativo.com.br

Saudações, colegas compositores, adoradores, líderes de louvor, músicos, artistas e seguidores de Jesus.
Durante os últimos anos, tive o privilégio de passar bastante tempo “na estrada”, falando, com e para jovens líderes emergentes. Eu suponho que tenha sido convidado porque muitos desses líderes emergentes estão lutando com a desafiante realidade da pós-modernidade – uma realidade cujo enfrentamento me fez perder muitos fios de cabelos – e sobre a qual eu já escrevi alguns livros. Em meu contexto de origem, sou um pastor servindo a uma igreja que se comprometeu em viver a transição pós-moderna e enfrentar as questões que ela apresenta de uma forma ousada e confiante. Quando digo “ousada e confiante”, estou bastante ciente de que não existem até agora mapas que nos guiem nessa aventura – portanto, não temos uma idéia clara de para onde estamos indo, mas apenas a certeza de que estamos procurando seguir a Jesus. Sentimo-nos mais ou menos como o povo de Israel saindo do Egito da modernidade, e cruzando o mar em direção a um deserto desconhecido… Confiamos, no entanto, que uma coluna de nuvem e uma coluna de fogo nos conduzirão durante o dia e à noite.

Um dos benefícios de viajar é a oportunidade de conhecer coisas novas. Como músico que também sou, tenho gostado de conhecer e escutar dúzias de bandas e líderes de louvor, e também de passar horas, literalmente, em quase todos os eventos dos quais participo, sendo conduzido em adoração. De tudo que tenho conhecido e ouvido, existem muitas coisas que eu poderia me imaginar compartilhando com vocês, líderes de louvor. Existem, com efeito, inúmeras tendências encorajadoras ao lado de alguns poucos problemas persistentes. Mas uma coisa sobressai às demais: ela é, na verdade, um pedido mais do que qualquer outra coisa. Um pedido dirigido aos compositores em nosso meio para que explorem – e depois nos guiem em direção a – novos territórios espirituais e poéticos.

Com freqüência, ouvimos reclamações concernentes à pobreza das músicas, a monotonia das letras, a estreiteza teológica no universo da música cristã contemporânea. Algumas dessas reclamações vêm de pessoas que secretamente desejam que nós voltemos a cantar hinos como eles faziam nos anos 50 (se 1850 ou 1950, você decide). Eu não estou interessado em reclamações, e tenho pouco interesse nos anos 50 (exceto, talvez, em 2050). Não. Aqui está o que eu ando perseguindo: muitos de nós acreditamos que estamos entrando (ou talvez já estejamos lá) um período de transição teológico/cultural/espiritual significativo; possivelmente tão significativo historicamente quanto o período da Reforma, quando o mundo medieval deu lugar ao mundo moderno. Agora, à medida que o mundo moderno dá lugar ao mundo pós-moderno, não devíamos nos surpreender se presenciássemos uma revolução teológica (ao final da qual, nos tornássemos mais bíblicos, mais espirituais, mais eficientes em nossa missão – e, Deus, por favor – mais esclarecidos com respeito àquilo em que ela consiste, ao que ela é). Mas aqui reside o problema.

No mundo moderno, a teologia era praticada por acadêmicos eruditos, e podia ser encontrada em livros e preleções. No mundo pós-moderno, muitos de nós acreditamos que os teólogos terão de sair mais freqüentemente das bibliotecas e se misturar ao restante de nós. E os melhores dentre eles darão as mãos aos poetas, músicos, cineastas, atores, arquitetos, decoradores, paisagistas, dançarinos, escultores, pintores, romancistas, fotógrafos, desenhistas gráficos e todos os outros tipos possíveis de irmãos e irmãs envolvidos com a arte. E isso, não apenas para comunicar uma teologia cristã pós-moderna, mas também para discerni-la e até mesmo para descobri-la. Porque uma das maiores mudanças dessa transição é a mudança do paradigma da utilização do lado esquerdo do cérebro apenas, para o paradigma da utilização do cérebro inteiro. Uma mudança de um racionalismo analítico e reducionista para uma perspectiva teológica mais abrangente e integral – uma teologia da mente e do coração, do entendimento e da imaginação, da palavra e da imagem, da inteligibilidade e do mistério, da explicação e da narrativa, da exposição e da expressão artística. Nossos compositores poderiam exercer um papel espiritual-chave no enraizamento desse tipo mais integral de teologia na experiência da fé de nosso povo.

Mas, tristemente, o que eu tenho percebido nas extensas horas de adoração em que tenho participado ao redor do país, é que muito raramente as letras de nossas músicas têm nos conduzido a esse novo território. Ao contrário, de algumas maneiras, as letras de nossas músicas têm nos mantidos presos ao corriqueiro e comum. Por favor, não escutem estas palavras como mero criticismo, mas como um pedido – um pedido gentil, mas honesto e apaixonado – por mudança. Sendo mais específico: uma quantidade demasiadamente grande de nossas canções é constrangedoramente personalista, sobre mim e Jesus.

Ora, intimidade pessoal com Deus é um passo maravilhoso para além da mera repetição fria, abstrata e estática do dogma; mas não é tudo. De fato – isso talvez choque você – no novo e emergente mundo pós-moderno, intimidade com Deus não é necessariamente o ponto principal. Uma canção de adoração que tenho ouvido em muitos lugares nos últimos anos diz que a adoração é “toda a seu respeito, Jesus”, porém, com exceção desta frase, a sensação que temos é que a adoração – bem como o cristianismo em geral – tem se tornado cada vez mais acerca de “mim, mim e mim”.

Se você duvida do que estou dizendo, preste atenção na próxima vez em que estiver cantando na igreja. As canções dizem respeito à maneira como Jesus me perdoa, me abraça, me faz sentir sua presença, me fortalece, me mantém perto dele, me toca, me aviva etc. E não há nada de mal em tudo isso. Mas se um extraterrestre oriundo de Marte viesse nos observar, eu acredito que ele diria uma dessas duas coisas sobre nós: ou (a) que essas pessoas são todas meio disfuncionais e necessitam de muita terapia do abraço (o que é irônico, pois estamos entre as pessoas mais privilegiadas do mundo, tendo sido, de todas as maneiras, mais abençoadas do que qualquer outro grupo na história); ou (b) que eles não se importam nem um pouco com o resto do mundo, que a religião/espiritualidade deles os faz tão egoístas quanto um não-cristão, mas em relação às coisas espirituais apenas e não tanto em relação às coisas materiais.

Eu não acredito que nenhum destes juízos seja tão verdadeiro quanto eles soariam aos ouvidos de um marciano. Ao invés disso, penso que nós compositores continuamos escrevendo canções desse tipo porque acreditamos que isso seja o que as pessoas desejam e necessitam. O assustador, no entanto, é saber que ainda que estes juízos não sejam completamente verdadeiros, eles poderão vir a sê-lo, a menos que tomemos algumas ações corretivas e busquemos um maior equilíbrio. É constrangedor admitir, mas, alguns de nós devem estar pensando nesse momento: “Se a composição de músicas espirituais não diz respeito apenas à temática da intimidade profunda e pessoal com Deus, a que mais ela diz respeito?” Permitam-me oferecer uma lista de temas bíblicos que faríamos bem em explorar em nossas letras:

1. Vocês ficarão surpresos ao lerem em primeiro lugar que deveríamos explorar o tema da “Escatologia”. É preciso antes esclarecer que não quero dizer com isso que deveríamos adaptar para música o último romance apocalíptico (não, por favor; isso não!). Por escatologia (que significa o estudo do fim ou destino para o qual o universo se orienta), eu entendo a visão bíblica do futuro de Deus o qual está nos atraindo para si. Para muitos de vocês, criados como eu nas escatologias da modernidade tardia, será uma surpresa saber que existe uma abordagem totalmente nova à escatologia em emergência atualmente (liderada por alguns teólogos como Walter Bruegeeman, Jurgen Moltmann, e os “teólogos da esperança”). Esta abordagem não deixa espaço para especulações sensacionalistas e previsões trêmulas. Ao contrário; ela se banha na poesia bíblica de Isaías, Jeremias, Apocalipse… poesia na qual, uma vez interiorizada, planta em nós uma visão de um mundo muito diferente deste nosso e para melhor. E quando esta esperança cresce e cria raízes em nós, tornamos-nos seus agentes. Que alegria profunda poderia ser expressa em cânticos que captem o espírito de Isaías 9.2-7; 25.6-9; 35.1-10; 58.5-14! Quem irá escrever esses cânticos?
Eles necessitam ser escritos porque as pessoas precisam de esperança. Elas precisam da visão de um futuro melhor. Elas precisam ter suas imaginações povoadas por imagens de celebração, paz, justiça e plenitude na direção das quais nosso mundo triste, beligerante, poluído e fragmentado se move e caminha. Esta esperança não se traduz por imagens etéreas de um outro mundo fora e acima desse nosso. Ela é algo muito, muito maior do que canções sobre mim no céu. Compositores: mergulhem nessas passagens… e permitam que seus corações sejam inspirados para escrever cânticos de esperança, cânticos de visões, cânticos que hospedem em nossos corações o sonho de um futuro que há muito foi esquecido… o sonho da vinda do reino de Deus, da vontade de Deus sendo realizada na terra como é realizada nos céus.

2. Vocês talvez fiquem igualmente surpresos ao me ver sugerir que nós precisamos de cânticos de missão. Muitos de nós acreditamos que um novo e maior sentido de missão seja o elemento-chave necessário para que entremos no mundo pós-moderno. Mas não falo apenas de missões, nem tampouco de evangelismo. Falo de missão – de participarmos na missão de Deus, no reino de Deus, que é muito maior e mais grandioso do que nossos pequenos esquemas organizacionais de auto-engrandecimento. Tal sentido de missão põe em cheque o fundamento de nossa cultura consumista orientada para “mim, mim e mim” e para as coisas que me dizem respeito. Jesus veio não para ser servido, mas para servir. E assim como Ele foi enviado, Ele também nos enviou ao mundo. Na nova teologia emergente, o coração mesmo de nossa identidade como igreja não é o fato de sermos o povo que foi escolhido para ser abençoado, salvo, resgatado, e abençoado mais um pouquinho. Isto é uma meia-verdade herética, que nossas canções correm o risco de estar espalhando e enraizando mais e mais no nosso povo – de maneira inadvertida, é claro. Não, o coração de nossa identidade como igreja nessa nova teologia emergente consiste em que somos o povo que foi abençoado (como Abraão foi abençoado) para sermos bênção; abençoados, portanto, para que possamos transmitir esta bênção ao mundo.
Para muitos de nós, o mundo existe para a igreja. É como se ele fosse uma enorme jazida mineral de onde as pessoas retiram riquezas para construir a igreja, que é o que realmente importa. Na nova e emergente teologia e espiritualidade pós-moderna, esta imagem é terrível. Ela espelha o estupro e o despojamento do meio ambiente por parte de nossas indústrias. Nesta imagem, a igreja é mais uma indústria, tirando e retirando para o seu próprio lucro. Quão diferente é a imagem da igreja como a comunidade apostólica enviada ao mundo como as mãos, os pés, os olhos, o sorriso, e o coração de Cristo! Precisamos de canções que celebrem esta dimensão missional – boas e muitas canções! Aqui também precisamos voltar às Escrituras em busca de inspiração. Precisamos ler os profetas e os Evangelhos e imitarmos o compromisso deles com o pobre, o necessitado, o abatido. Estes temas não deviam ser expressos em canções? Eles não são dignos de serem cantados na igreja? À medida que escrevo, sou desafiado por este pensamento: talvez nós tenhamos supervalorizado o papel da música na adoração a tal ponto – em detrimento de tantas outras opções litúrgicas (poesias, orações históricas, silêncio, leitura meditativa etc) – que acabamos nos esquecendo do papel da música em relação ao ensino. Vocês se lembram de Colossenses 3, onde Paulo fala sobre cantarmos uns para os outros os ensinamentos de Cristo?

3. Uma vez mais, vocês talvez se surpreendam por me ver recomendar que nós devemos redescobrir a histórica espiritualidade cristã e a expressarmos em canções. Como Robert Webber, Thomas Odin, Sally Morgenthaler e outros têm nos ensinado, existe uma enorme riqueza de históricos escritos espirituais, incluindo muitas belíssimas orações, que clamam por serem traduzidas em canções contemporâneas. Cada era na história tem ricos recursos a oferecer: do período Patrístico ao período Celta ao período Puritano. Em cada página de Thomas à Kempis, em cada oração dos grandes santos medievais, existe inspiração esperando por nós… e quando olhamos para as repetitivas e monótonas letras que milhões de cristãos estão cantando (porque isso, gente, é o que nós estamos compondo!) a oportunidade perdida causa tristeza no coração. Essas “vozes estranhas” irão alargar os nossos corações e enriquecê-los de forma imensurável… até que, finalmente, – se nós as convidarmos para participar de nossa adoração através das letras dos cânticos – essas vozes se tornarão vozes de amigos, de irmãos e irmãs, porque isso é o que elas são.

4. Vocês provavelmente ficarão menos surpresos quando virem minha sugestão de que nós precisamos de canções que sejam sobre Deus simplesmente… canções que dêem a Deus o lugar de destaque, por assim dizer. Canções que falem de Deus como Deus, que falem do caráter de Deus, da glória de Deus, e não apenas do excelente trabalho que Deus vem realizando fazendo com que eu me sinta bem. De modo semelhante, nós precisamos de canções que celebrem o que Deus faz pelo mundo – por todo o mundo – e não apenas por mim, ou por nós. Caso você não tenha a menor idéia do que estou falando, leia os Salmos, porque eles celebram o que Deus faz por toda a criação, não apenas pelo povo de Israel. Muitas canções das quais necessitamos também celebrarão a Deus como Criador, um tema importante nas Escrituras, mas não para a maior parte de nossas igrejas. Sentimos falta na era moderna de uma boa teologia da criação, e nessa cultura emergente, nós precisamos de compositores/artistas e teólogos que se unam para celebrar Deus como o Deus da criação, não apenas 15 bilhões de anos atrás (ou quando quer que seja), mas hoje, agora… o Deus que conhece o pardal que cai, o Deus cuja glória ainda se manifesta num raio de luz, cuja ternura ainda se precipita como orvalho da manhã, cujos mistérios são ainda comparados às profundezas dos mares e à imensidão do céu noturno.

5. Eu também devo mencionar a necessidade de cânticos de lamento. A Bíblia está repleta de canções angustiadas, mais tristes do que os mais tristes blues; canções que traduzem a agonizante distância entre o que esperamos e o que temos, o que poderíamos ser e o que somos, o que cremos e o que vemos e sentimos. A honestidade dos cânticos de lamento é perturbadora, pois nem sempre eles terminam com uma nota feliz, como nos cartões comemorativos da Hallmark. Algumas vezes penso que somos demasiadamente felizes. E neste caso, a única maneira de nos tornarmos mais felizes ainda seria tornando-nos um pouco mais tristes. Para isso, então, teríamos de sentir a dor daquele que se encontra cronicamente enfermo, desesperadamente pobre, mentalmente doente; a dor do solitário, do idoso que foi esquecido, da minoria oprimida, do órfão e da viúva. Essa dor deveria encontrar expressão em canções e tais canções deveriam chegar de alguma maneira às nossas igrejas. Quanto mais amargo nós tornarmos o que é doce, melhor. Pois sem o amargo, o que é doce se torna enjoativo. E muitas de nossas igrejas parecem, eu acredito, com a terra das guloseimas ultra-açucaradas. É pedir muito que sejamos mais honestos? Uma vez que a dúvida é parte de nossas vidas, uma vez que dor, ansiedade e frustração são parte de nossas histórias, não poderiam elas estar presentes nas canções que entoamos em nossas comunidades? Não é verdade que cantorias infindáveis acerca de coisas alegres tendem a perder sua vitalidade (e mesmo sua credibilidade) se não cantamos também nossas lutas e tristezas?

Já que estou tratando dessa questão, será que poderia oferecer algumas sugestões e fazer alguns pedidos? (Novamente, não sendo crítico, mas procurando ajudar vocês com os seus dons a melhor servirem na igreja nesses tempos de transição). Gostaria de fazer isso na forma de algumas perguntas:

Primeira: Posso sugerir que nós finalmente superemos o uso linguagem arcaica em nossas novas letras (rompendo com a tendência de usarmos versões antigas da Bíblia)? Ainda que nós resolvamos manter esse tipo de linguagem em nossos hinos antigos, será que poderíamos abandoná-las em nossas novas composições? Nada mais a acrescentar aqui.

Segunda: Posso sugerir que sejamos cautelosos com o uso gratuito de linguagem bíblica – Sião, Israel, nas alturas etc? Se houver uma boa razão para a utilização desse tipo de linguagem – em outras palavras: se as estamos usando intencionalmente e não apenas para criar um clima espiritual – então tudo bem. Do contrário, se pudermos encontrar linguagem e simbologia contemporânea que conecte de forma profunda e imediata com as pessoas que ainda não possuem muitas horas acumuladas de banco de igreja… então, vamos usá-las no espírito de 1 Coríntios 14, onde a capacidade de se fazer inteligível é tida como uma virtude.
Terceira: Posso sugerir que nessa era de fundamentalismos islâmicos, nós sejamos cautelosos em relação ao emprego de linguagem que evoque a Jihad e a guerra santa? Eu suponho que exista um tempo e um lugar para esse tipo de linguagem, mas não acredito que nem este lugar e nem o tempo sejam aqui e agora. Em minha opinião, nós agora precisamos é de uma forte dose de paz Anabatista.

Quarta: Musicalmente falando, será que eu sou o único desejoso de uma maior variedade rítmica? Por que será que ultimamente eu tenho sido tão abençoado por bateristas e percurssionistas criativos em todo lugar aonde vou?

Quinta: Será que nossos líderes de louvor poderiam enriquecer nossa experiência cúltica lendo textos das Escrituras, orações da igreja histórica, credos, confissões, e poemas com um pano de fundo musical? Você talvez não goste de música Rap, mas ela tem tentado nos dizer alguma coisa sobre o poder da palavra falada, isto é, a palavra falada bem escolhida (já temos palavras não-tão-bem-escolhidas demais em nosso meio – creio que você concordará comigo).

Finalmente, será que nossos letristas poderiam começar a ler mais poesia (e boa poesia) a fim de que se tornem mais sensíveis ao poder da linguagem, à beleza de uma frase bem construída, ao prazer de uma imagem fresca, nova, ao susto, ou golpe, ou toque, ou surpresa possível quando se insiste um pouco mais na busca pela palavra que realmente quer ser dita, exteriorizada, pronunciada desde o nosso íntimo? Tristemente, enquanto muitas de nossas canções têm música cada vez melhor, as letras ainda se parecem muito a um “trem de clichês”, com um chavão após o outro, numa irritante reciclagem de linguagem decepcionante e sem vida. Não são o nosso Deus, nossa missão, e nossa comunidade dignos de melhor qualidade poética do que temos oferecido até agora?

Obrigado por considerar estas coisas. Eu espero que este seja o começo de uma importante e contínua conversa.

Seu colega e servo,

Brian McLaren

Fonte : http://solomon1.com

 

Arte + Cultura + Cristianismo = é possível???

por Luiz Monaro Soares

Sabe aquela história de que, só é bom, o que vem da igreja?

Pois bem, eu nunca fui muito a favor dessa teoria. Desde que me converti, em 2001, meus gostos musicais, por exemplo, sofreram mudanças radicais. Por influência de amigos da igreja, passei a ouvir muito mais música brasileira, deixando de lado, algumas modinhas americanas (das quais, eu ainda curto algumas!). Pedro Mariano, Simoninha, Jair Oliveira…e outros.

Só porque não são da igreja, não são bons? Não se pode tirar nada de bom de suas músicas?

E como ficam, por exemplo, a pintura, a fotografia, as letras? Se não são da igreja, não devemos apreciá-los?

Foi por essas e outras, que me identifiquei muito com um Portal, chamado Cristianismo Criativo!

Os caras conseguiram estabelecer uma equação (não tão de primeiro grau assim!), com um resultado que certamente, não é 0! Muito pelo contrário!

No Cristianismo Criativo, você acha de tudo: pintura, fotografia, charges, filmes, músicas, literatura! E como usar tudo, para fazermos do nosso Cristianismo, algo mais criativo! (Desculpem a repetição dos termos, mas é a real!!!)

E ninguém melhor, do que os próprios mentores dessa jóia rara para nos contar como surgiu essa idéia!

Com vocês, o dono da ideia, Whaner Endo!

Avante Cultura – Quem teve a ideia de criar um portal que aborda a “equação”: Arte + Cultura + Cristianismo?
A ideia do Portal surgiu naturalmente, depois que decidimos mudar o conceito da editora, que antes era uma “publicadora de livros” e passou a ser uma disseminadora de ideias. (Nesse ponto, o Whaner se refere à editora W4). Com essa mudança estratégica, também focamos mais naquilo que a gente mais conhecia e mais se interessava, ou seja, definimos que a linha editorial principal da W4 Editora seria ligada a livros que tratavam das relações entre artes X cultura X cristianismo.
O portal veio como uma forma de trabalharmos os conceitos de redes sociais junto ao nosso público leitor, pois ele serve como uma agregador e gerador de conteúdo para os nossos leitores ou pessoas interessadas ao tema. Em paralelo ao portal, foram criadas as comunidades no Orkut e Facebook, a criação do Twitter, além de um canal de stream de vídeo no uStream. Tudo para a promoção da reflexão saudável e sem “rabo preso” com os grupos dominantes e as ideias equivocadas que “pululam” por aí…

Avante Cultura – Hoje em dia, por que é tão difícil, inserir elementos das artes dentro da igreja? Por exemplo, ritmos brasileiros nem sempre são bem aceitos. Que explicação vocês dariam a essa não-aceitação?
Acredito que isso tenha a ver com a própria história da igreja, ligada aos movimentos gerados por missionários americanos e ingleses, além das características da matriz cultural brasileira que normalmente liga os ritmos brasileiros aos cultos afro. No fundo, é um reflexo da própria massificação e pasteurização existente tanto dentro como fora da Igreja. Tudo que não se adequa ao padrão estético da indústria cultural é deixado de lado.

Avante Cultura – Afinal, o que é Cristianismo Criativo?
Na minha visão, cristianismo criativo é cristianismo relevante! Nas artes, isto está ligado à mudança de rota de uma produção pragmática e muitas vezes utilitária, para uma produção coerente com as mediações culturais existentes no entorno da comunidade. Mas, podemos ter cristianismo criativo ligado ao meio ambiente, justiça social, política, relações humanas… Enfim, ser um cristão criativo é o que o Brian McLaren fala sobre a mensagem secreta de Jesus: o cristianismo original…

Avante Cultura – O que vocês acham de muitos pastores que se utilizam de obras seculares (poesias, canções e etc…) para ilustrar suas pregações?
Acho fundamental, pois insere na vida eclesiástica o sopro criativo do Criador que traz frescor ao dia-a-dia de todo cristão. Além disso, é uma forma de sairmos do gueto e sermos influenciadores e influenciados pelas coisas boas que existem por aí. No início do livro “Cristianismo Criativo?”, o jornalista e crítico inglês Steve Stockmann conta sobre sua experiência na famosa comunidade de L´Abri e as provocações que recebeu de Francis Schaeffer ao longo do tempo em que esteve por lá. Para saber mais, você terá que ler o livro!
Whaner, pode deixar que vou ler o mais rápido possível!!!

Avante Cultura – Como vocês veem a segregação do chamado mercado gospel?
É tudo uma questão comercial. O público evangélico ou gospel é um segmento de mercado tão interessante quanto o das pessoas de 3ª idade ou do singles… E, portanto, muitos se aproveitam disso apenas para ganhar dinheiro. É claro que existem pessoas honestas, mas infelizmente parece que estão perdendo…
Outro problema ligado a essa segmentação de mercado é o baixo padrão exigido pelos seus consumidores, o que tem transformado esse público num porto seguro para inúmeros artistas-zumbis, ou CSL (celebridades de segunda linha) que já haviam morrido em seus mercados de origem, mas se convertem e ressurgem para o showbizz ao serem consumidos pelos ávidos levitas e fãs-extravagantes.

Avante Cultura – Conversei com a galera do Crombie, e eles disseram não ter medo da banda ser tachada de gospel. Até quando, vcs acham que existirá essa divisão entre “artista gospel” X “artista secular”? Deve haver essa divisão?
Essa divisão é uma das maiores falácias pregadas pela maioria dos líderes dentro do arraial evangélico tupiniquim. É uma forma de reserva de mercado, quando não indica uma miopia quase mister-magooense.

Avante Cultura – Que artistas hoje, representam o verdadeiro sentido de Cristianismo Criativo?
O Crombie é um exemplo. Gosto também do U2… Mas vejo muito do Cristianismo em letras dos Los Hermanos, Lenine, Regina Spektor… Roberto Minczuk é outro exemplo de cristianismo criativo… Fora da música, tem o designer Wagner Archela e a artista plástica Christiane Correa. Nas letras, a Adelia Prado…

Avante Cultura – O que vocês curtem “fora” da igreja? Na música, literatura, cinema?
Curto muuuuuita coisa…
Pra ficar no que tenho ouvido, lido e visto ultimamente: Regina Spektor, U2, Gerson Borges, Palavrantiga, Madeleine Peyroux.
Na literatura, o Mia Couto com seu “Antes de nascer o mundo” me surpreendeu pelo seu lirismo, a narrativa do Chico em “Leite Derramado” ficou bem interessante… Neil Gaiman também é muito bom… Rob Bell com seu “The Velvet Elvis” é um soco no estômago da Igreja… Gostei do “A Cabana” também.
Cinema… Vixe… Não sou nem um pouco cinéfilo… Gostei do “Entre os Muros da Escola” e “Quem quer ser milionário”, para citar algumas coisas fora do tradicional padrão hollywoodiano.

Avante Cultura – Por fim, mas não menos importante, por que precisamos de arte?
Porque a arte é uma das linguagens mais diretas que o Senhor usa para falar com seus filhos!

Reflitam Sobre Isso um Pouco !!

Reunião da COOPERATIVA DOS ARTISTAS e PRODUTORES – DF. Vc é quem faz acontecer. 17/10 às 17h; Point dos Concursos- Tag. C 12

A COOPERATIVA DE ARTISTAS E PRODUTORES do DF tem o objetivo de apoiar e incentivar produções e publicidade social dos artistas envolvidos na arte popular. Convidamos pessoas que desenvolvam projetos culturais e educativos de conteúdo positivo. Acima de tudo, buscamos pessoas que prezem por qualidade com responsabilidade social.

CONVIDADOS: músicos, cantores, bandas, produtores, artistas plásticos, artesãos, artistas de circo, palhaços, etc; e demais parceiros da cultura; publicitários etc…

PAUTA DA REUNIÃO:
- Esclarecer os conceitos de Cooperativa, Ocipe e ONG;
-Definir estratégia de trabalho e diretoria;
-Expor propostas e projetos e ouvir novas propostas;
-Definir construção de estatuto;
-Formalização da Cooperativa e Associados.

Tracklisting

01. Still 04:03
02. Close To You 03:24
03. Things (Feat. Marvin Winans) 03:19
04. Grace 05:47
05. Reason To Dance 04:15
06. He Can Handle It 04:42
07. Changed My World 04:08
08. The Garden 04:20
09. Never Thought 05:00
10. I Found Love (Cindys Song) 03:59
11. Let It Be (Feat. Mary Mary) 03:33

Link : http://rapidshare.com/files/289381150/BeBe_And_CeCe_Winans-Still-2009-C4.rar

Faz muito tempo que eu queria escrever sobre os “levitas da casa do Senhor”. Acho que me faltava a força de um testemunho. O ótimo artigo Levitas?” do Giancarlo Marx resume quase tudo o que eu gostaria de dizer sobre a matéria.
Deixando, pois, o adjetivo “levita” no campo das abstrações do absurdário gospel, vai então o resto do meu entendimento sobre o assunto:

Eu não tenho nada contra um artista de música cristã ganhar fortunas e cobrar fortunas por seus shows. Bom para ele e para quem paga. Gerem empregos e sejam felizes.

Eu fico triste é de ver igrejas pagando fortunas por estes shows. O problema é, portanto, “quem” paga e em prejuízo “do que” paga.

Tão pouco me importa se cantam o que sentem ou sentem o que cantam. Eu sei o que canto, você sabe e, quando louvamos, há de ser assim, pois O Recebedor também sabe a Quem se dirige o louvor e vê o coração de quem louva.
Se a falsidade e a hipocrisia de alguns artistas te causam nojo, prepare-se para o pior pois o capitalismo é implacável e a nova onda é esta. Só Jesus segura Mamon! Meno male, pois a onda já foi o Axé (satânico) e o sal de fruta está ai para isto mesmo… Estou até querendo lançar o ENO GOSPEL, encara?

Eu gosto de muitos músicos cristãos brasileiros e estrangeiros (de diversos gêneros) e detesto muitos outros mais e, a cada dia, acho que a classificação gospel é genérica demais para caber tanta forma de expressão diferente.

Como apologeta o pensar e o sentir de um cantor gospel ou de alguém que se dirige a Deus é coisa irrelevante. Como é indiferente o motivo e a intenção de alguém que se dirige a Deus em oração particular. Deus julga. Minha atenção se volta ao ensino público. Opa! Ai é caso de se ver e julgar, como manda a Palavra.
Cabem aos pastores e líderes decidirem quais as músicas podem e devem ser usadas em momentos de louvor nas suas igrejas. Cabe a você decidir se determinada música será ou não dada em louvor a Deus. Caberá a Deus decidir aceitar, ou não, como tal. Como Pai, haverá Deus de olhar o coração e a intenção. Presumo que haja como aquele pai terreno que recebe de seu filho um papel cheio de garranchos ainda úmidos de tinta aquarela, com o orgulho de quem segura um quadro de Matisse ou um Renoir. Há de ser assim, ou você leitor acha ser capaz de ofertar a Deus algo feito por mão ou mente humana que tenha para Ele algum valor, se não for o seu Amor?
Vai daí, que até os trinados aborrecidos do mais brega dos cantores gospel servirão, se não forem heresias em verso ou batuque de terreiro em prosa, não sendo oculto, profano. Sejam bereianos ao cantar! Mas em se tratando da qualidade da canção, cada qual que pendure na geladeira ou nas paredes do escritório as obras de arte de seus filhos, não me peçam para olhar, pegar ou achar bonito, que isto para mim é daquelas coisas que cada qual cuida, limpa, ouve, cheira, agüenta o seu.
Os artistas cristãos são profissionais com carreiras. Carreiras, não ministérios.

Agora, se o artista quer ser chamado de ministro do louvor e quer ter um ministério, então, neste caso, não pode cobrar fortunas para cantar em púlpitos e, principalmente, deve se comportar como tal, se preparar e se dedicar com temor e tremor a um ministério da Obra do Senhor Jesus. Serão, pois, como ministros observados em seu comportamento como se faz e se exige dos que são obreiros na casa do Senhor. Sua vida deve ser reta e exemplo para os irmãos. As letras de suas músicas devem ser Bíblicas, escrutinadas pela Igreja.
O que não dá é querer agir como artista de carreira quando se trata de dinheiro e vida pessoal, pregar sem estar preparado, usando o palco como púlpito ou plataforma política, desfilando doutrinas vazias às massas hipnotizadas, abusando dos atos proféticos, das jam sessions com o “espirito” (sabe-se lá de quem), usando um falso ministério como escudo ungido selado e logomarcado com O sangue do Cordeiro!

Este quer enganar. Explorar a fé alheia. Fuja deste! Quem faz assim não é ministro de outro se não de Baal. É prostituto cultual.
Aos que vestiram a carapuça do prostituto cultual, antes que se ofendam, saibam o significado da denominação, para assim, ao menos, se ofenderem com mais propriedade. É bom conselho dirigido a quem já andou por muito tempo acostumado a se dar título que pouco ou nada entendia (levita), passando atestado de ignorância bíblica sem a menor necessidade, não é irmão?
1. Sing, Oh
2. Look at Me
3. I Love You Jesus
4. God of All Creation
5. To God Be All the Glory
6. Lord We Lift You Up
7. Glory Medley: Be Glorified/Yes, The Presence of the Lord
8. Keep Me in Your Glory
9. We Worship You
10. Authority
11. My Everything

Tracklisting

01. I Am Well (Intro) 02:48
02. God Handle It 04:06
03. I’ll Take Your Trouble 05:06
04. Glory And Honor 04:56
05. God Emmanuel 04:18
06. Serenity (Interlude) 00:41
07. Ain’t Nobody Like Him 03:04
08. Sanctuary Of Praise 03:26
09. Feel Your Presence Again 06:20
10. My Offering 04:37
11. Faultness 03:33
12. Beyond The Darkness (Conclusion) 03:40
13. Wise Men Still Seek Him 05:08
14. Yes You Can 05:22

Donwloand Link :

http://rapidshare.com/files/281711217/Tarralyn_Ramsey-Beyond_The_Darkness-2009-C4.rar

Próxima Página »