Saudações, colegas compositores, adoradores, líderes de louvor, músicos, artistas e seguidores de Jesus.
Durante os últimos anos, tive o privilégio de passar bastante tempo “na estrada”, falando, com e para jovens líderes emergentes. Eu suponho que tenha sido convidado porque muitos desses líderes emergentes estão lutando com a desafiante realidade da pós-modernidade – uma realidade cujo enfrentamento me fez perder muitos fios de cabelos – e sobre a qual eu já escrevi alguns livros. Em meu contexto de origem, sou um pastor servindo a uma igreja que se comprometeu em viver a transição pós-moderna e enfrentar as questões que ela apresenta de uma forma ousada e confiante. Quando digo “ousada e confiante”, estou bastante ciente de que não existem até agora mapas que nos guiem nessa aventura – portanto, não temos uma idéia clara de para onde estamos indo, mas apenas a certeza de que estamos procurando seguir a Jesus. Sentimo-nos mais ou menos como o povo de Israel saindo do Egito da modernidade, e cruzando o mar em direção a um deserto desconhecido… Confiamos, no entanto, que uma coluna de nuvem e uma coluna de fogo nos conduzirão durante o dia e à noite.

Um dos benefícios de viajar é a oportunidade de conhecer coisas novas. Como músico que também sou, tenho gostado de conhecer e escutar dúzias de bandas e líderes de louvor, e também de passar horas, literalmente, em quase todos os eventos dos quais participo, sendo conduzido em adoração. De tudo que tenho conhecido e ouvido, existem muitas coisas que eu poderia me imaginar compartilhando com vocês, líderes de louvor. Existem, com efeito, inúmeras tendências encorajadoras ao lado de alguns poucos problemas persistentes. Mas uma coisa sobressai às demais: ela é, na verdade, um pedido mais do que qualquer outra coisa. Um pedido dirigido aos compositores em nosso meio para que explorem – e depois nos guiem em direção a – novos territórios espirituais e poéticos.

Com freqüência, ouvimos reclamações concernentes à pobreza das músicas, a monotonia das letras, a estreiteza teológica no universo da música cristã contemporânea. Algumas dessas reclamações vêm de pessoas que secretamente desejam que nós voltemos a cantar hinos como eles faziam nos anos 50 (se 1850 ou 1950, você decide). Eu não estou interessado em reclamações, e tenho pouco interesse nos anos 50 (exceto, talvez, em 2050). Não. Aqui está o que eu ando perseguindo: muitos de nós acreditamos que estamos entrando (ou talvez já estejamos lá) um período de transição teológico/cultural/espiritual significativo; possivelmente tão significativo historicamente quanto o período da Reforma, quando o mundo medieval deu lugar ao mundo moderno. Agora, à medida que o mundo moderno dá lugar ao mundo pós-moderno, não devíamos nos surpreender se presenciássemos uma revolução teológica (ao final da qual, nos tornássemos mais bíblicos, mais espirituais, mais eficientes em nossa missão – e, Deus, por favor – mais esclarecidos com respeito àquilo em que ela consiste, ao que ela é). Mas aqui reside o problema.

No mundo moderno, a teologia era praticada por acadêmicos eruditos, e podia ser encontrada em livros e preleções. No mundo pós-moderno, muitos de nós acreditamos que os teólogos terão de sair mais freqüentemente das bibliotecas e se misturar ao restante de nós. E os melhores dentre eles darão as mãos aos poetas, músicos, cineastas, atores, arquitetos, decoradores, paisagistas, dançarinos, escultores, pintores, romancistas, fotógrafos, desenhistas gráficos e todos os outros tipos possíveis de irmãos e irmãs envolvidos com a arte. E isso, não apenas para comunicar uma teologia cristã pós-moderna, mas também para discerni-la e até mesmo para descobri-la. Porque uma das maiores mudanças dessa transição é a mudança do paradigma da utilização do lado esquerdo do cérebro apenas, para o paradigma da utilização do cérebro inteiro. Uma mudança de um racionalismo analítico e reducionista para uma perspectiva teológica mais abrangente e integral – uma teologia da mente e do coração, do entendimento e da imaginação, da palavra e da imagem, da inteligibilidade e do mistério, da explicação e da narrativa, da exposição e da expressão artística. Nossos compositores poderiam exercer um papel espiritual-chave no enraizamento desse tipo mais integral de teologia na experiência da fé de nosso povo.

Mas, tristemente, o que eu tenho percebido nas extensas horas de adoração em que tenho participado ao redor do país, é que muito raramente as letras de nossas músicas têm nos conduzido a esse novo território. Ao contrário, de algumas maneiras, as letras de nossas músicas têm nos mantidos presos ao corriqueiro e comum. Por favor, não escutem estas palavras como mero criticismo, mas como um pedido – um pedido gentil, mas honesto e apaixonado – por mudança. Sendo mais específico: uma quantidade demasiadamente grande de nossas canções é constrangedoramente personalista, sobre mim e Jesus.

Ora, intimidade pessoal com Deus é um passo maravilhoso para além da mera repetição fria, abstrata e estática do dogma; mas não é tudo. De fato – isso talvez choque você – no novo e emergente mundo pós-moderno, intimidade com Deus não é necessariamente o ponto principal. Uma canção de adoração que tenho ouvido em muitos lugares nos últimos anos diz que a adoração é “toda a seu respeito, Jesus”, porém, com exceção desta frase, a sensação que temos é que a adoração – bem como o cristianismo em geral – tem se tornado cada vez mais acerca de “mim, mim e mim”.

Se você duvida do que estou dizendo, preste atenção na próxima vez em que estiver cantando na igreja. As canções dizem respeito à maneira como Jesus me perdoa, me abraça, me faz sentir sua presença, me fortalece, me mantém perto dele, me toca, me aviva etc. E não há nada de mal em tudo isso. Mas se um extraterrestre oriundo de Marte viesse nos observar, eu acredito que ele diria uma dessas duas coisas sobre nós: ou (a) que essas pessoas são todas meio disfuncionais e necessitam de muita terapia do abraço (o que é irônico, pois estamos entre as pessoas mais privilegiadas do mundo, tendo sido, de todas as maneiras, mais abençoadas do que qualquer outro grupo na história); ou (b) que eles não se importam nem um pouco com o resto do mundo, que a religião/espiritualidade deles os faz tão egoístas quanto um não-cristão, mas em relação às coisas espirituais apenas e não tanto em relação às coisas materiais.

Eu não acredito que nenhum destes juízos seja tão verdadeiro quanto eles soariam aos ouvidos de um marciano. Ao invés disso, penso que nós compositores continuamos escrevendo canções desse tipo porque acreditamos que isso seja o que as pessoas desejam e necessitam. O assustador, no entanto, é saber que ainda que estes juízos não sejam completamente verdadeiros, eles poderão vir a sê-lo, a menos que tomemos algumas ações corretivas e busquemos um maior equilíbrio. É constrangedor admitir, mas, alguns de nós devem estar pensando nesse momento: “Se a composição de músicas espirituais não diz respeito apenas à temática da intimidade profunda e pessoal com Deus, a que mais ela diz respeito?” Permitam-me oferecer uma lista de temas bíblicos que faríamos bem em explorar em nossas letras:

1. Vocês ficarão surpresos ao lerem em primeiro lugar que deveríamos explorar o tema da “Escatologia”. É preciso antes esclarecer que não quero dizer com isso que deveríamos adaptar para música o último romance apocalíptico (não, por favor; isso não!). Por escatologia (que significa o estudo do fim ou destino para o qual o universo se orienta), eu entendo a visão bíblica do futuro de Deus o qual está nos atraindo para si. Para muitos de vocês, criados como eu nas escatologias da modernidade tardia, será uma surpresa saber que existe uma abordagem totalmente nova à escatologia em emergência atualmente (liderada por alguns teólogos como Walter Bruegeeman, Jurgen Moltmann, e os “teólogos da esperança”). Esta abordagem não deixa espaço para especulações sensacionalistas e previsões trêmulas. Ao contrário; ela se banha na poesia bíblica de Isaías, Jeremias, Apocalipse… poesia na qual, uma vez interiorizada, planta em nós uma visão de um mundo muito diferente deste nosso e para melhor. E quando esta esperança cresce e cria raízes em nós, tornamos-nos seus agentes. Que alegria profunda poderia ser expressa em cânticos que captem o espírito de Isaías 9.2-7; 25.6-9; 35.1-10; 58.5-14! Quem irá escrever esses cânticos?
Eles necessitam ser escritos porque as pessoas precisam de esperança. Elas precisam da visão de um futuro melhor. Elas precisam ter suas imaginações povoadas por imagens de celebração, paz, justiça e plenitude na direção das quais nosso mundo triste, beligerante, poluído e fragmentado se move e caminha. Esta esperança não se traduz por imagens etéreas de um outro mundo fora e acima desse nosso. Ela é algo muito, muito maior do que canções sobre mim no céu. Compositores: mergulhem nessas passagens… e permitam que seus corações sejam inspirados para escrever cânticos de esperança, cânticos de visões, cânticos que hospedem em nossos corações o sonho de um futuro que há muito foi esquecido… o sonho da vinda do reino de Deus, da vontade de Deus sendo realizada na terra como é realizada nos céus.

2. Vocês talvez fiquem igualmente surpresos ao me ver sugerir que nós precisamos de cânticos de missão. Muitos de nós acreditamos que um novo e maior sentido de missão seja o elemento-chave necessário para que entremos no mundo pós-moderno. Mas não falo apenas de missões, nem tampouco de evangelismo. Falo de missão – de participarmos na missão de Deus, no reino de Deus, que é muito maior e mais grandioso do que nossos pequenos esquemas organizacionais de auto-engrandecimento. Tal sentido de missão põe em cheque o fundamento de nossa cultura consumista orientada para “mim, mim e mim” e para as coisas que me dizem respeito. Jesus veio não para ser servido, mas para servir. E assim como Ele foi enviado, Ele também nos enviou ao mundo. Na nova teologia emergente, o coração mesmo de nossa identidade como igreja não é o fato de sermos o povo que foi escolhido para ser abençoado, salvo, resgatado, e abençoado mais um pouquinho. Isto é uma meia-verdade herética, que nossas canções correm o risco de estar espalhando e enraizando mais e mais no nosso povo – de maneira inadvertida, é claro. Não, o coração de nossa identidade como igreja nessa nova teologia emergente consiste em que somos o povo que foi abençoado (como Abraão foi abençoado) para sermos bênção; abençoados, portanto, para que possamos transmitir esta bênção ao mundo.
Para muitos de nós, o mundo existe para a igreja. É como se ele fosse uma enorme jazida mineral de onde as pessoas retiram riquezas para construir a igreja, que é o que realmente importa. Na nova e emergente teologia e espiritualidade pós-moderna, esta imagem é terrível. Ela espelha o estupro e o despojamento do meio ambiente por parte de nossas indústrias. Nesta imagem, a igreja é mais uma indústria, tirando e retirando para o seu próprio lucro. Quão diferente é a imagem da igreja como a comunidade apostólica enviada ao mundo como as mãos, os pés, os olhos, o sorriso, e o coração de Cristo! Precisamos de canções que celebrem esta dimensão missional – boas e muitas canções! Aqui também precisamos voltar às Escrituras em busca de inspiração. Precisamos ler os profetas e os Evangelhos e imitarmos o compromisso deles com o pobre, o necessitado, o abatido. Estes temas não deviam ser expressos em canções? Eles não são dignos de serem cantados na igreja? À medida que escrevo, sou desafiado por este pensamento: talvez nós tenhamos supervalorizado o papel da música na adoração a tal ponto – em detrimento de tantas outras opções litúrgicas (poesias, orações históricas, silêncio, leitura meditativa etc) – que acabamos nos esquecendo do papel da música em relação ao ensino. Vocês se lembram de Colossenses 3, onde Paulo fala sobre cantarmos uns para os outros os ensinamentos de Cristo?

3. Uma vez mais, vocês talvez se surpreendam por me ver recomendar que nós devemos redescobrir a histórica espiritualidade cristã e a expressarmos em canções. Como Robert Webber, Thomas Odin, Sally Morgenthaler e outros têm nos ensinado, existe uma enorme riqueza de históricos escritos espirituais, incluindo muitas belíssimas orações, que clamam por serem traduzidas em canções contemporâneas. Cada era na história tem ricos recursos a oferecer: do período Patrístico ao período Celta ao período Puritano. Em cada página de Thomas à Kempis, em cada oração dos grandes santos medievais, existe inspiração esperando por nós… e quando olhamos para as repetitivas e monótonas letras que milhões de cristãos estão cantando (porque isso, gente, é o que nós estamos compondo!) a oportunidade perdida causa tristeza no coração. Essas “vozes estranhas” irão alargar os nossos corações e enriquecê-los de forma imensurável… até que, finalmente, – se nós as convidarmos para participar de nossa adoração através das letras dos cânticos – essas vozes se tornarão vozes de amigos, de irmãos e irmãs, porque isso é o que elas são.

4. Vocês provavelmente ficarão menos surpresos quando virem minha sugestão de que nós precisamos de canções que sejam sobre Deus simplesmente… canções que dêem a Deus o lugar de destaque, por assim dizer. Canções que falem de Deus como Deus, que falem do caráter de Deus, da glória de Deus, e não apenas do excelente trabalho que Deus vem realizando fazendo com que eu me sinta bem. De modo semelhante, nós precisamos de canções que celebrem o que Deus faz pelo mundo – por todo o mundo – e não apenas por mim, ou por nós. Caso você não tenha a menor idéia do que estou falando, leia os Salmos, porque eles celebram o que Deus faz por toda a criação, não apenas pelo povo de Israel. Muitas canções das quais necessitamos também celebrarão a Deus como Criador, um tema importante nas Escrituras, mas não para a maior parte de nossas igrejas. Sentimos falta na era moderna de uma boa teologia da criação, e nessa cultura emergente, nós precisamos de compositores/artistas e teólogos que se unam para celebrar Deus como o Deus da criação, não apenas 15 bilhões de anos atrás (ou quando quer que seja), mas hoje, agora… o Deus que conhece o pardal que cai, o Deus cuja glória ainda se manifesta num raio de luz, cuja ternura ainda se precipita como orvalho da manhã, cujos mistérios são ainda comparados às profundezas dos mares e à imensidão do céu noturno.

5. Eu também devo mencionar a necessidade de cânticos de lamento. A Bíblia está repleta de canções angustiadas, mais tristes do que os mais tristes blues; canções que traduzem a agonizante distância entre o que esperamos e o que temos, o que poderíamos ser e o que somos, o que cremos e o que vemos e sentimos. A honestidade dos cânticos de lamento é perturbadora, pois nem sempre eles terminam com uma nota feliz, como nos cartões comemorativos da Hallmark. Algumas vezes penso que somos demasiadamente felizes. E neste caso, a única maneira de nos tornarmos mais felizes ainda seria tornando-nos um pouco mais tristes. Para isso, então, teríamos de sentir a dor daquele que se encontra cronicamente enfermo, desesperadamente pobre, mentalmente doente; a dor do solitário, do idoso que foi esquecido, da minoria oprimida, do órfão e da viúva. Essa dor deveria encontrar expressão em canções e tais canções deveriam chegar de alguma maneira às nossas igrejas. Quanto mais amargo nós tornarmos o que é doce, melhor. Pois sem o amargo, o que é doce se torna enjoativo. E muitas de nossas igrejas parecem, eu acredito, com a terra das guloseimas ultra-açucaradas. É pedir muito que sejamos mais honestos? Uma vez que a dúvida é parte de nossas vidas, uma vez que dor, ansiedade e frustração são parte de nossas histórias, não poderiam elas estar presentes nas canções que entoamos em nossas comunidades? Não é verdade que cantorias infindáveis acerca de coisas alegres tendem a perder sua vitalidade (e mesmo sua credibilidade) se não cantamos também nossas lutas e tristezas?

Já que estou tratando dessa questão, será que poderia oferecer algumas sugestões e fazer alguns pedidos? (Novamente, não sendo crítico, mas procurando ajudar vocês com os seus dons a melhor servirem na igreja nesses tempos de transição). Gostaria de fazer isso na forma de algumas perguntas:

Primeira: Posso sugerir que nós finalmente superemos o uso linguagem arcaica em nossas novas letras (rompendo com a tendência de usarmos versões antigas da Bíblia)? Ainda que nós resolvamos manter esse tipo de linguagem em nossos hinos antigos, será que poderíamos abandoná-las em nossas novas composições? Nada mais a acrescentar aqui.

Segunda: Posso sugerir que sejamos cautelosos com o uso gratuito de linguagem bíblica – Sião, Israel, nas alturas etc? Se houver uma boa razão para a utilização desse tipo de linguagem – em outras palavras: se as estamos usando intencionalmente e não apenas para criar um clima espiritual – então tudo bem. Do contrário, se pudermos encontrar linguagem e simbologia contemporânea que conecte de forma profunda e imediata com as pessoas que ainda não possuem muitas horas acumuladas de banco de igreja… então, vamos usá-las no espírito de 1 Coríntios 14, onde a capacidade de se fazer inteligível é tida como uma virtude.
Terceira: Posso sugerir que nessa era de fundamentalismos islâmicos, nós sejamos cautelosos em relação ao emprego de linguagem que evoque a Jihad e a guerra santa? Eu suponho que exista um tempo e um lugar para esse tipo de linguagem, mas não acredito que nem este lugar e nem o tempo sejam aqui e agora. Em minha opinião, nós agora precisamos é de uma forte dose de paz Anabatista.

Quarta: Musicalmente falando, será que eu sou o único desejoso de uma maior variedade rítmica? Por que será que ultimamente eu tenho sido tão abençoado por bateristas e percurssionistas criativos em todo lugar aonde vou?

Quinta: Será que nossos líderes de louvor poderiam enriquecer nossa experiência cúltica lendo textos das Escrituras, orações da igreja histórica, credos, confissões, e poemas com um pano de fundo musical? Você talvez não goste de música Rap, mas ela tem tentado nos dizer alguma coisa sobre o poder da palavra falada, isto é, a palavra falada bem escolhida (já temos palavras não-tão-bem-escolhidas demais em nosso meio – creio que você concordará comigo).

Finalmente, será que nossos letristas poderiam começar a ler mais poesia (e boa poesia) a fim de que se tornem mais sensíveis ao poder da linguagem, à beleza de uma frase bem construída, ao prazer de uma imagem fresca, nova, ao susto, ou golpe, ou toque, ou surpresa possível quando se insiste um pouco mais na busca pela palavra que realmente quer ser dita, exteriorizada, pronunciada desde o nosso íntimo? Tristemente, enquanto muitas de nossas canções têm música cada vez melhor, as letras ainda se parecem muito a um “trem de clichês”, com um chavão após o outro, numa irritante reciclagem de linguagem decepcionante e sem vida. Não são o nosso Deus, nossa missão, e nossa comunidade dignos de melhor qualidade poética do que temos oferecido até agora?

Obrigado por considerar estas coisas. Eu espero que este seja o começo de uma importante e contínua conversa.

Seu colega e servo,

Brian McLaren

Fonte : http://solomon1.com

 

Arte + Cultura + Cristianismo = é possível???

por Luiz Monaro Soares

Sabe aquela história de que, só é bom, o que vem da igreja?

Pois bem, eu nunca fui muito a favor dessa teoria. Desde que me converti, em 2001, meus gostos musicais, por exemplo, sofreram mudanças radicais. Por influência de amigos da igreja, passei a ouvir muito mais música brasileira, deixando de lado, algumas modinhas americanas (das quais, eu ainda curto algumas!). Pedro Mariano, Simoninha, Jair Oliveira…e outros.

Só porque não são da igreja, não são bons? Não se pode tirar nada de bom de suas músicas?

E como ficam, por exemplo, a pintura, a fotografia, as letras? Se não são da igreja, não devemos apreciá-los?

Foi por essas e outras, que me identifiquei muito com um Portal, chamado Cristianismo Criativo!

Os caras conseguiram estabelecer uma equação (não tão de primeiro grau assim!), com um resultado que certamente, não é 0! Muito pelo contrário!

No Cristianismo Criativo, você acha de tudo: pintura, fotografia, charges, filmes, músicas, literatura! E como usar tudo, para fazermos do nosso Cristianismo, algo mais criativo! (Desculpem a repetição dos termos, mas é a real!!!)

E ninguém melhor, do que os próprios mentores dessa jóia rara para nos contar como surgiu essa idéia!

Com vocês, o dono da ideia, Whaner Endo!

Avante Cultura – Quem teve a ideia de criar um portal que aborda a “equação”: Arte + Cultura + Cristianismo?
A ideia do Portal surgiu naturalmente, depois que decidimos mudar o conceito da editora, que antes era uma “publicadora de livros” e passou a ser uma disseminadora de ideias. (Nesse ponto, o Whaner se refere à editora W4). Com essa mudança estratégica, também focamos mais naquilo que a gente mais conhecia e mais se interessava, ou seja, definimos que a linha editorial principal da W4 Editora seria ligada a livros que tratavam das relações entre artes X cultura X cristianismo.
O portal veio como uma forma de trabalharmos os conceitos de redes sociais junto ao nosso público leitor, pois ele serve como uma agregador e gerador de conteúdo para os nossos leitores ou pessoas interessadas ao tema. Em paralelo ao portal, foram criadas as comunidades no Orkut e Facebook, a criação do Twitter, além de um canal de stream de vídeo no uStream. Tudo para a promoção da reflexão saudável e sem “rabo preso” com os grupos dominantes e as ideias equivocadas que “pululam” por aí…

Avante Cultura – Hoje em dia, por que é tão difícil, inserir elementos das artes dentro da igreja? Por exemplo, ritmos brasileiros nem sempre são bem aceitos. Que explicação vocês dariam a essa não-aceitação?
Acredito que isso tenha a ver com a própria história da igreja, ligada aos movimentos gerados por missionários americanos e ingleses, além das características da matriz cultural brasileira que normalmente liga os ritmos brasileiros aos cultos afro. No fundo, é um reflexo da própria massificação e pasteurização existente tanto dentro como fora da Igreja. Tudo que não se adequa ao padrão estético da indústria cultural é deixado de lado.

Avante Cultura – Afinal, o que é Cristianismo Criativo?
Na minha visão, cristianismo criativo é cristianismo relevante! Nas artes, isto está ligado à mudança de rota de uma produção pragmática e muitas vezes utilitária, para uma produção coerente com as mediações culturais existentes no entorno da comunidade. Mas, podemos ter cristianismo criativo ligado ao meio ambiente, justiça social, política, relações humanas… Enfim, ser um cristão criativo é o que o Brian McLaren fala sobre a mensagem secreta de Jesus: o cristianismo original…

Avante Cultura – O que vocês acham de muitos pastores que se utilizam de obras seculares (poesias, canções e etc…) para ilustrar suas pregações?
Acho fundamental, pois insere na vida eclesiástica o sopro criativo do Criador que traz frescor ao dia-a-dia de todo cristão. Além disso, é uma forma de sairmos do gueto e sermos influenciadores e influenciados pelas coisas boas que existem por aí. No início do livro “Cristianismo Criativo?”, o jornalista e crítico inglês Steve Stockmann conta sobre sua experiência na famosa comunidade de L´Abri e as provocações que recebeu de Francis Schaeffer ao longo do tempo em que esteve por lá. Para saber mais, você terá que ler o livro!
Whaner, pode deixar que vou ler o mais rápido possível!!!

Avante Cultura – Como vocês veem a segregação do chamado mercado gospel?
É tudo uma questão comercial. O público evangélico ou gospel é um segmento de mercado tão interessante quanto o das pessoas de 3ª idade ou do singles… E, portanto, muitos se aproveitam disso apenas para ganhar dinheiro. É claro que existem pessoas honestas, mas infelizmente parece que estão perdendo…
Outro problema ligado a essa segmentação de mercado é o baixo padrão exigido pelos seus consumidores, o que tem transformado esse público num porto seguro para inúmeros artistas-zumbis, ou CSL (celebridades de segunda linha) que já haviam morrido em seus mercados de origem, mas se convertem e ressurgem para o showbizz ao serem consumidos pelos ávidos levitas e fãs-extravagantes.

Avante Cultura – Conversei com a galera do Crombie, e eles disseram não ter medo da banda ser tachada de gospel. Até quando, vcs acham que existirá essa divisão entre “artista gospel” X “artista secular”? Deve haver essa divisão?
Essa divisão é uma das maiores falácias pregadas pela maioria dos líderes dentro do arraial evangélico tupiniquim. É uma forma de reserva de mercado, quando não indica uma miopia quase mister-magooense.

Avante Cultura – Que artistas hoje, representam o verdadeiro sentido de Cristianismo Criativo?
O Crombie é um exemplo. Gosto também do U2… Mas vejo muito do Cristianismo em letras dos Los Hermanos, Lenine, Regina Spektor… Roberto Minczuk é outro exemplo de cristianismo criativo… Fora da música, tem o designer Wagner Archela e a artista plástica Christiane Correa. Nas letras, a Adelia Prado…

Avante Cultura – O que vocês curtem “fora” da igreja? Na música, literatura, cinema?
Curto muuuuuita coisa…
Pra ficar no que tenho ouvido, lido e visto ultimamente: Regina Spektor, U2, Gerson Borges, Palavrantiga, Madeleine Peyroux.
Na literatura, o Mia Couto com seu “Antes de nascer o mundo” me surpreendeu pelo seu lirismo, a narrativa do Chico em “Leite Derramado” ficou bem interessante… Neil Gaiman também é muito bom… Rob Bell com seu “The Velvet Elvis” é um soco no estômago da Igreja… Gostei do “A Cabana” também.
Cinema… Vixe… Não sou nem um pouco cinéfilo… Gostei do “Entre os Muros da Escola” e “Quem quer ser milionário”, para citar algumas coisas fora do tradicional padrão hollywoodiano.

Avante Cultura – Por fim, mas não menos importante, por que precisamos de arte?
Porque a arte é uma das linguagens mais diretas que o Senhor usa para falar com seus filhos!

Reflitam Sobre Isso um Pouco !!

Reunião da COOPERATIVA DOS ARTISTAS e PRODUTORES – DF. Vc é quem faz acontecer. 17/10 às 17h; Point dos Concursos- Tag. C 12

A COOPERATIVA DE ARTISTAS E PRODUTORES do DF tem o objetivo de apoiar e incentivar produções e publicidade social dos artistas envolvidos na arte popular. Convidamos pessoas que desenvolvam projetos culturais e educativos de conteúdo positivo. Acima de tudo, buscamos pessoas que prezem por qualidade com responsabilidade social.

CONVIDADOS: músicos, cantores, bandas, produtores, artistas plásticos, artesãos, artistas de circo, palhaços, etc; e demais parceiros da cultura; publicitários etc…

PAUTA DA REUNIÃO:
- Esclarecer os conceitos de Cooperativa, Ocipe e ONG;
-Definir estratégia de trabalho e diretoria;
-Expor propostas e projetos e ouvir novas propostas;
-Definir construção de estatuto;
-Formalização da Cooperativa e Associados.

Tracklisting

01. Still 04:03
02. Close To You 03:24
03. Things (Feat. Marvin Winans) 03:19
04. Grace 05:47
05. Reason To Dance 04:15
06. He Can Handle It 04:42
07. Changed My World 04:08
08. The Garden 04:20
09. Never Thought 05:00
10. I Found Love (Cindys Song) 03:59
11. Let It Be (Feat. Mary Mary) 03:33

Link : http://rapidshare.com/files/289381150/BeBe_And_CeCe_Winans-Still-2009-C4.rar

Faz muito tempo que eu queria escrever sobre os “levitas da casa do Senhor”. Acho que me faltava a força de um testemunho. O ótimo artigo Levitas?” do Giancarlo Marx resume quase tudo o que eu gostaria de dizer sobre a matéria.
Deixando, pois, o adjetivo “levita” no campo das abstrações do absurdário gospel, vai então o resto do meu entendimento sobre o assunto:

Eu não tenho nada contra um artista de música cristã ganhar fortunas e cobrar fortunas por seus shows. Bom para ele e para quem paga. Gerem empregos e sejam felizes.

Eu fico triste é de ver igrejas pagando fortunas por estes shows. O problema é, portanto, “quem” paga e em prejuízo “do que” paga.

Tão pouco me importa se cantam o que sentem ou sentem o que cantam. Eu sei o que canto, você sabe e, quando louvamos, há de ser assim, pois O Recebedor também sabe a Quem se dirige o louvor e vê o coração de quem louva.
Se a falsidade e a hipocrisia de alguns artistas te causam nojo, prepare-se para o pior pois o capitalismo é implacável e a nova onda é esta. Só Jesus segura Mamon! Meno male, pois a onda já foi o Axé (satânico) e o sal de fruta está ai para isto mesmo… Estou até querendo lançar o ENO GOSPEL, encara?

Eu gosto de muitos músicos cristãos brasileiros e estrangeiros (de diversos gêneros) e detesto muitos outros mais e, a cada dia, acho que a classificação gospel é genérica demais para caber tanta forma de expressão diferente.

Como apologeta o pensar e o sentir de um cantor gospel ou de alguém que se dirige a Deus é coisa irrelevante. Como é indiferente o motivo e a intenção de alguém que se dirige a Deus em oração particular. Deus julga. Minha atenção se volta ao ensino público. Opa! Ai é caso de se ver e julgar, como manda a Palavra.
Cabem aos pastores e líderes decidirem quais as músicas podem e devem ser usadas em momentos de louvor nas suas igrejas. Cabe a você decidir se determinada música será ou não dada em louvor a Deus. Caberá a Deus decidir aceitar, ou não, como tal. Como Pai, haverá Deus de olhar o coração e a intenção. Presumo que haja como aquele pai terreno que recebe de seu filho um papel cheio de garranchos ainda úmidos de tinta aquarela, com o orgulho de quem segura um quadro de Matisse ou um Renoir. Há de ser assim, ou você leitor acha ser capaz de ofertar a Deus algo feito por mão ou mente humana que tenha para Ele algum valor, se não for o seu Amor?
Vai daí, que até os trinados aborrecidos do mais brega dos cantores gospel servirão, se não forem heresias em verso ou batuque de terreiro em prosa, não sendo oculto, profano. Sejam bereianos ao cantar! Mas em se tratando da qualidade da canção, cada qual que pendure na geladeira ou nas paredes do escritório as obras de arte de seus filhos, não me peçam para olhar, pegar ou achar bonito, que isto para mim é daquelas coisas que cada qual cuida, limpa, ouve, cheira, agüenta o seu.
Os artistas cristãos são profissionais com carreiras. Carreiras, não ministérios.

Agora, se o artista quer ser chamado de ministro do louvor e quer ter um ministério, então, neste caso, não pode cobrar fortunas para cantar em púlpitos e, principalmente, deve se comportar como tal, se preparar e se dedicar com temor e tremor a um ministério da Obra do Senhor Jesus. Serão, pois, como ministros observados em seu comportamento como se faz e se exige dos que são obreiros na casa do Senhor. Sua vida deve ser reta e exemplo para os irmãos. As letras de suas músicas devem ser Bíblicas, escrutinadas pela Igreja.
O que não dá é querer agir como artista de carreira quando se trata de dinheiro e vida pessoal, pregar sem estar preparado, usando o palco como púlpito ou plataforma política, desfilando doutrinas vazias às massas hipnotizadas, abusando dos atos proféticos, das jam sessions com o “espirito” (sabe-se lá de quem), usando um falso ministério como escudo ungido selado e logomarcado com O sangue do Cordeiro!

Este quer enganar. Explorar a fé alheia. Fuja deste! Quem faz assim não é ministro de outro se não de Baal. É prostituto cultual.
Aos que vestiram a carapuça do prostituto cultual, antes que se ofendam, saibam o significado da denominação, para assim, ao menos, se ofenderem com mais propriedade. É bom conselho dirigido a quem já andou por muito tempo acostumado a se dar título que pouco ou nada entendia (levita), passando atestado de ignorância bíblica sem a menor necessidade, não é irmão?
1. Sing, Oh
2. Look at Me
3. I Love You Jesus
4. God of All Creation
5. To God Be All the Glory
6. Lord We Lift You Up
7. Glory Medley: Be Glorified/Yes, The Presence of the Lord
8. Keep Me in Your Glory
9. We Worship You
10. Authority
11. My Everything

Tracklisting

01. I Am Well (Intro) 02:48
02. God Handle It 04:06
03. I’ll Take Your Trouble 05:06
04. Glory And Honor 04:56
05. God Emmanuel 04:18
06. Serenity (Interlude) 00:41
07. Ain’t Nobody Like Him 03:04
08. Sanctuary Of Praise 03:26
09. Feel Your Presence Again 06:20
10. My Offering 04:37
11. Faultness 03:33
12. Beyond The Darkness (Conclusion) 03:40
13. Wise Men Still Seek Him 05:08
14. Yes You Can 05:22

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Realmente , Fred Hammond a Cada dia se supera , um cd que Fala que o Amor não Pode Para Nada ! Realmente todo o contexto de Louvor e Adoração trás essa tématica de Amor , de Paixão ao Senhor , Arranjos memoráveis , Grooves Marcantes , isso que é a verdadeira Prova de Amor ao Senhor , Parabéns Fred Hammond !

Créditos a Luciano , como Sempre !

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Paz And Sound And Groove !

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Nossa fé é reconhecida pelos de fora, como viva e verdadeira, autentica e frutífera, transformadora e compassiva? Diante dos desafios do mundo moderno, que tipo de progresso nossa fé e o Evangelho estão alcançando?

Essas são algumas das questões que nos tiram o sono. Quando a insônia é demasiada e você precisa relaxar um pouco. Vá ao cinema. Assista por exemplo Tropa de Elite.

O fio condutor de Tropa de Elite é o Nascimento e a Morte. Não estou falando do Capitão Nascimento, apesar de que vemos a morte promovida por Nascimento (o capitão).

A Arte (permita-me destacá-la com maiúsculo) retrata a vida como ela é. As artes (nas suas mais diversas manifestações) explicam nossa época, nossa história, nossas limitações, nossos dilemas. O fio condutor da Arte ao longo dos Séculos tem sido o Nascimento e a Morte. A busca pelo sentido da vida.

É essa busca que transforma nossa existência em uma jornada, uma peregrinação. A Arte vem a ser nosso espelho. A Arte nos revela. A Arte nos estimula.

Por que o cristão não se engaja de maneira efetivamente comprometida com as artes? Qual a razão para o cristão não participar desse diálogo. Arte é conversa, é interação, é manifestação, é ação e reação.

Em tese, se bem endereçada a questão – o dilema, o desafio, a jornada, a busca … nós temos a resposta. A triste realidade é que na maioria das vezes, nós damos respostas erradas, nos momentos errados, nas formas erradas, pelos protagonistas errados, para os ouvintes errados.

Imagine os grandes nomes do evangelicalismo nacional da atualidade. Aqueles líderes que mais tem impactado o dia a dia brasileiro, a esfera pública, com sua fala, sua imagem, sua pregação, sua influência. É muito provável que sejam nomes que vem da televisão. Alguém que nos persegue – quer diariamente ou semanalmente. Esses nomes que você e eu estamos pensando … Numa nota de 0 a 10 – onde 10 está para Orgulho Perfeito e 0 para Vergonha Extremada, que notas recebem esses líderes que você pensou?

Gente só estou perguntando! Como bom corinthiano – limitado e semi-letrado, só quero aprender.

Qual impacto o cristianismo assim representado, terá na cultura? No País? Na sociedade, na transformação, nas melhoras? Junto ao povo, na injustiça, na péssima qualidade de ensino, na perspectiva para as futuras gerações? E nos índices que retratam os principais problemas que nos afligem como nação, como sociedade e como indivíduo: corrupção, violência, ecologia, distribuição de renda, qualidade de vida, infra-estrutura, desemprego, sub-emprego, falta de qualificação … Esses índices, melhoram ou pioram? De novo gente, só estou perguntando! Como bom corinthiano não tenho todas as respostas. Quero dividir essa responsabilidade com vocês!

Voltando para o filme Tropa de Elite, temos um exemplo latente e vigente do dilema do homem moderno. No caso é o dilema do Capitão Nascimento que quer sair do BOPE – sair e sair vivo, em meio a tantas mortes, para curtir o nascimento e a vida de Nascimento Junior (ou Rafael). Tudo isso num contexto que retrata o desafio sociológico-carioca da pobreza, do tráfico, da polícia, da corrupção, do bem contra o mal, e do mal contra o bem, do estado, da vida, da família – enfim o mundo que nos cerca, não importa se neste ou noutro estado.

E para tantos outros bons filhos que se identificam com um ou outro personagem, o filme retrata a vida como ela é, com seus dilemas, decisões, limitações, frustrações, incoerências, perdas, angústias, mortes e … onde está o sentido da vida?

Sou corinthiano, só estou perguntando…

Estamos num grande caldeirão (uma grande piscina) – essa é uma excelente analogia que encontrei. Ajuda a descrever o estado das coisas para o homem no século 21. E a composição dessa ‘sopa’ em que nos encontramos mergulhados é:
Sexo;
Sexualidade;
Televisão;
Música;
Filosofia;
Publicidade e propaganda;
Política pública;
Política;
Mundo corporativo;
Esportes;
Aquecimento global;
Terapia;
Auto-ajuda;
Arte kitsch;
e mais publicidade e propaganda.
(Essa lista eu tirei da entrevista do professor Kevin Vanhoozer que está para lançar o livro com os papers de seus alunos na Trinity Evangelical Divinity School. O nome do livro: Everyday Theology – que pode ser: A Teologia do Cotidiano).

Vivemos tempos em que essas coisas são mais para caldeirão do que potinho. Ou seja, cada vez mais, nossos interesses, estudos, atuações… tudo, enfim envolve cada vez mais diferentes áreas, sempre muito mais próximas e sobrepostas umas às outras. A cor da nossa vida é muito mais cinza do que preto e branco (pra tristeza dos corinthianos).

Quero destacar uma frase que me persegue. Coloquei-a como bandeira no topo de meu blog. Tirei do irmãzinho Martinho Lutero (corinthiano de longa data):

Se eu professar com a voz mais alta e com a mais clara exposição cada pormenor
da verdade de Deus, exceto precisamente aquele pequeno ponto ao qual o mundo e o
demônio estão naquele momento atacando, eu não estou confessando Cristo, ainda
que ousadamente eu possa estar professando a Cristo. Onde a batalha trava-se,
ali a lealdade do soldado é provada, e estar em outro campo da batalha que não
este é apenas deserção e desgraça, se ele foge deste ponto.

O que está claro para mim é o seguinte: com toda a força da pós-modernidade – principalmente entre os educados (corintianos inclusos – de nível universitário) e os urbanos, é que as coisas mais do que se cruzam re-moldando uma sinuosa linha fronteiriça. O que acontece é que nem mais linha ela é! As áreas de um e de outro lado, na verdade se misturam e criam uma extensa e larga zona não militarizada – onde não existe batalha, luta ou guerra de fato, de direito e de verdade (por mais que os nossos pastores – corinthianos e outros – insistam no contrário).

E por mais paradoxal que pareça – é justamente nessa zona não militarizada que a nossa batalha tem que acontecer! É nesse largo e extenso território em que estamos gastando boa parte de nosso dia e de nossas vidas, que temos a oportunidade de gerar influência, de transformar, de modificar, de conquistar corações e mentes…

Nossa batalha que é uma batalha de compaixão, de amor, de dedicação, carinho, paciência, sacrifício e altruísmo. De nos mostrarmos cada vez mais bem aventurados e menos aventureiros…

O texto a seguir tem 5 dias de idade. É uma transcrição do discurso do escritor israelense Amos Oz ocasião de sua premiação pela Fundação Príncipe das Astúrias, na Espanha (e foi traduzido corinthianamente por mim). Ilustra a potência que tem uma arte:

O mundo da literatura pode encorajar a compreensão entre inimigos amargos.
Se você comprar uma passagem e viajar para outro país, é provável que você veja monumentos, palácios e praças, museus e belezas naturais e lugares históricos. Se você tiver sorte, você poderá ter a oportunidade de conversar com algumas pessoas nativas. Daí ao voltar para casa, você vai levar um monte de fotografias e cartões postais.
Mas se você ler um livro, você ganha uma passagem para o mais íntimo dos cantos de outro país e de outra gente. Ler um conto estrangeiro é um convite a visitar as casas de outras pessoas e os lugares íntimos de um outro país.
Se você é um simples turista, você poderá estar numa rua e ao olhar para uma casa antiga, na parte antiga de uma cidade, poderá ver uma mulher olhando pela janela. Em seguida você continua andando.
Mas se você é um leitor, você poderá ver a mulher olhando pela janela, mas você estará lá com ela, dentro do seu quarto e dentro da sua cabeça.
Ao ler um conto estrangeiro, no fundo você é convidado a adentrar as salas de outras pessoas, o quarto do bebê, a biblioteca, o quarto do casal. Você é convidado a adentrar suas mágoas secretas, suas alegrias familiares, seus sonhos.
É por isso que creio que a literatura é uma ponte entre os povos. Eu creio que a curiosidade pode ser uma qualidade moral. Eu creio que imaginar o outro pode ser um antídoto para o fanatismo. Imaginar o outro, fará de você não só um melhor empregado ou um melhor amante, mas acima de tudo uma melhor pessoa.
Parte da tragédia entre judeus e árabes é a incapacidade de tantos de nós, judeus e árabes a imaginar um ao outro. Realmente imaginar um ao outro: os amores, os medos terríveis, a raiva, a paixão. Há muita hostilidade entre nós, muita pouca curiosidade.
Judeus e árabes tem algo essencial em comum: ambos têm sido tratados brutal e coercitivamente pela mão violenta da Europa no passado. Os árabes através do
imperialismo, colonialismo, exploração e humilhações. Os judeus através de discriminação, perseguição, expulsão e ultimamente assassinato em massa numa
escala sem precedente.
Um pensaria que duas vitimas, e especialmente duas vitimas de um mesmo
opressor desenvolveria entre eles um senso de solidariedade. Na verdade, não é
assim que funciona, nem nos contos nem na vida.
Alguns dos piores conflitos são na verdade entre vitimas de um mesmo opressor – duas crianças de um pai violento não necessariamente se gostam. É comum verem no outro a imagem do pai abusivo.
E é exatamente o caso entre judeus e árabes no Oriente Médio. Enquanto os árabes consideram os Israelenses como Cruzados do últimos tempos, uma extensão da Europa branca e colonizadora; muitos Israelenses, de seu lado, consideram os
árabes como a nova encarnação de opressores do passado, criadores de carrascos e
Nazistas.
Essa situação cobra da Europa em particular uma responsabilidade para a solução do conflito israelense-árabe: ao invés de apontar o dedo para qualquer dos lados, os europeus deveriam estender empatia, compreensão e ajuda para os dois lados. Você não precisa escolher entre ser pró-Israel e ser pró-Palestina. Você tem que ser pró-paz.
A mulher na janela poderá ser uma mulher palestina em Nablus. Ela poderá ser uma mulher israelense judia em Tel Aviv. Se você quer ajudar a fazer a paz entre essas duas mulheres nessas duas janelas, é melhor você começar a ler sobre elas.
Leia contos, meus amigos. Eles vão lhe dizer muito.
É também oportuno para que cada uma dessas mulheres leia sobre a outra.
Aprender afinal o que torna a outra mulher na janela temerosa, raivosa ou esperançosa.
Não estou sugerindo que ler contos vai mudar o mundo. Eu sim sugiro, e assim creio, que ler contos é uma das melhores formas possíveis para se entender que todas as mulheres, em todas as janelas, ao final do dia estão urgentemente necessitadas de paz.
Literatura é arte. Conto é arte.

Hans Rookmaaker, um dos mais influentes pensadores cristãos da Arte e da Modernidade, foi um grande influenciador de Francis Schaeffer, e ambos são citados no livro Cristianismo Criativo de Steve Turner. Quero pegar uma citação de Rookmaaker: Arte não é religião, nem uma atividade relegada para uns poucos escolhidos, nem tampouco mundana, um assunto supérfluo. Nenhuma dessas visões é justa para com a criatividade que Deus agraciou o homem. É a capacidade de fazer algo bonito (assim como útil), da mesma maneira como Deus fez o mundo belo, e disse “É bom”.

Assim, arte não precisa de justificativa, ao invés disso, ela demanda uma resposta… A suprema justificativa para toda a criação é que Deus assim quis… Cristo morreu por nós para restaurar nossa humanidade, e trazer significado de volta para a criação de Deus… tudo na vida é cristão, a menos que queiramos fazer Cristo muito pequeno.

Parafraseando o Ed René Kivitz: Arte é cooperar com Deus para colocar ordem no caos … cooperar na criação dEle.

A pergunta que deixo no ar: O que queremos ser? Marque a alternativa correta:
a) Pedra de Tropeço;
b) Ganhando o mundo e perdendo nossa alma;
c) Quakers isolacionistas;
d) Felizes turistas num passeio hedonístico pelo planeta terra;
ou
e) Sal e luz.

Fonte : http://confrariaekklesial.blogspot.com/

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